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O Rubi, O Príncipe Escarlate
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Veste-se de púrpura ou de carmesim: majestoso e belo, figura de elite dos corindos reis. Do latim rubeus, muda-se no séc.XII para o termo franco rubin que define sempre a sua melhor cor – o vermelho intenso. Os elementos cromóforos são o ferro (Fe) e o cromo (Cr); sem eles seria um óxido de alumínio (A12 O3) quase incolor e sem grande importância gemológica. Cristaliza no sistema trigonal sob forma de prismas hexagonais com estriações diagonais nas faces do prisma e triangulares nas bases. São também frequentes as chamadas maclas polisintéticas (muitos cristais da mesma espécie orientados paralelamente e unidos por sucessivos planos). A sua cor varia de vermelho muito intenso, conhecido como “sangue de pombo”, a um vermelho acastanhado ou mesmo violáceo. Se o rubi tem muito ferro (Fe) escurece, ficando com uma cor semelhante à granada, podendo em certos casos confundir-se com esta Pedra Preciosa. Aparece com alguma regularidade com efeito de asterismo – “estrela luminosa de 6 pontas”, devido às inclusões de cristais de agulhas de rutilo (óxido de titânio) que se cruzam entre si em três direcções, formando ângulos de 60⁰. Nos Rubis da Birmânia, os melhores e mais belos do mundo, podemos observar inclusões sólidas, líquidas e gasosas, embora sejam raras as trifásicas, a calcite e a dolomite de cor branca e incolor, cristais curtos e redondeados de apatite e olivino e, frequentemente, de pirite com o seu brilho metálico tão característico. Infelizmente esta importante gema é trocada por outras que a tentam imitar nos termos e no gesto e, assim, oferecem-nos “o célebre rubi do Cabo”, que não passa de uma granada, “o Rubi dos Urais” para a variedade vermelha da turmalina e “o Rubi Balache” para a espinela; como exemplo mais vivo temos “o Rubi príncipe negro”, que pertence à Coroa Imperial Inglesa e que afinal mais não é do que uma espinela lindíssima.
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Os notáveis provêm da Birmânia (Vale de Mogok) onde são explorados há mais de cinco séculos. Nas lendas antigas orientais, onde o Rubi usava o nome de carbúnculo (na realidade é uma variedade de granada almandina de um vermelho vivo e transparente), contava-se que o sangue de um guerreiro famoso teria caído num rio Cingalês, onde se condensara em gemas rutilantes, e de onde, mais tarde, se extraíram os mais lindos e famosos Rubis; também não são menos famosos os relatos antigos que afirmavam que este esplêndido mineral “brilhava dentro da noite”, fenómeno que é hoje naturalmente explicado pela propriedade fluorescente do Rubi.
Tavernier descreve-nos o trono de um príncipe hindu incrustado de Rubis e avalia o peso de cada pedra preciosa entre 100 a 200 quilates.
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Um dos famosos Rubis que pertencia à Coroa Francesa, e que hoje faz parte da colecção do Louvre, foi lapidado em fprma de dragão com as asas estendidas como que a guardar “o Tosão de ouro das Hespérides”.
É evidente que o uso do Rubi não se restringiu só à decoração de objectos reais ou à manufactura de jóias mas também foi, e é, utilizado para fins industriais, instrumentos de precisão, ópticos, semicondutores, etc,etc.
A sua dureza é elevada, 9 na escala de ; o seu peso específico, maior que o diamante: 4 contra 3,52, pois é sem dúvida uma das gemas naturais de maior densidade. O brilho é vítreo, embora, devido às suas inclusões, tenha por vezes um aspecto sedoso.
O Espectro de absorção costuma ser fortíssimo derivado ao cromo; a fluorescência vai de um vermelho intenso, mas até pode ser inerte se o Rubi contém muito ferro. Há a considerar os Rubis sintéticos que apresentam propriedades muito similares; neste caso é importantíssimo observar as suas inclusões.
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Tudo começou com Ausgusto Verneuil que em 1891 entregou, na Academia das Ciências de Paris, uma carta selada que continha um novo e revolucionário processo da síntese do Rubi, comercializando-o a partir de 1900 – método da substância fundida. Com fins eminentemente gemológicos há a referir o método Flux, que utiliza óxido de alumínio e um fundente. Esta mistura funde a elevada temperatura; o seu arrefecimento provoca a cristalização, solidificando separadamente os resíduos do fundente. Encontramos como seguidores deste processo, os nomes de Chatam, Kashan, Kamaura, Knischka, etc. As gemas reconstituídas, cerca de 1855, são pedras fabricadas com o pó ou bocados de substâncias naturais, por intervenção de calor e pressão. O âmbar, a concha de tartaruga e inclusive o próprio Rubi, sujeitaram-se a este “tratamento”. Entretanto venderam-se muitos Rubis sintéticos dando-lhe o nome de Rubis reconstituídos. Este espécime foi fabricado por um sacerdote que vivia numa localidade perto de Genebra, daí ter ficado pelo nome de “Rubi de Genebra”. O Rubi é uma substância mineral que apresenta enormes qualidades. Encontra-se em rochas metamórficas, sendo a principal rocha matriz um mármore dolomítico, embora a sua extracção comercial seja feita em depósitos secundários e nas areias de antigos vales fluviais. As suas jazidas mais importantes são sem dúvida como já referimos, na Birmânia, Tailândia, também conhecida como Sião, e onde se encontram exemplares com muito ferro; as zonas de Trat e Chanthaburi são importantes produtores de Rubis; no Sri Lanka, antigo Ceilão, extraem-se gemas de um harmonioso cor-de-rosa e belíssimos exemplares com efeito estrela; Ratnapura é de longe a zona de maior produção. No Vietname do Norte iniciou-se, a partir dos finais de 80, a exploração de Rubis em quantidades significativas; Lue Yan e Quy Chan são as áreas de maior importância
JOSÉ BAPTISTA
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