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A Safira Print E-mail
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A Safira, A Pedra dos Espíritos

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    A safira, variedade gemológica de corindo nobre, é uma pedra preciosa muito importante. A palavra safira deriva do grego e significa cor azul. É composta de oxigénio e de um elemento químico – o alumínio – de símbolo (AI).
    Este óxido de alumínio ou alumina deve a sua bonita cor ao ferro e ao titânio, (Fe3+ e Ti3+), podendo esta variar de um azul muito claro (Fe3+ e Ti4+) a um azul muito escuro ou quase negro (Ti4+ e Fe 2+). Surge também noutras lindíssimas cores de fantasia: tons diferentes de amarelos, devido ao ferro férrico (Fe 3+) ou a centros de cor, radiações luminosas de verdes, violetas, rosas e ainda as famosas alaranjadas chamadas de “Padparachas”, cujo termino deriva da palavra cingalesa que significa flor de lótus.A safira, segundo uma narrativa antiga, foi uma das 12 pedras preciosas escolhidas por Deus.
    É a gema que define o espírito humano e os seus sentimentos; a pedra do Outono e do mês de Setembro. Os nativos do Sri Lanka e Birmânia acreditam que quem usar esta “pedra sagrada” fica protegido por Deus e tem a faculdade de ouvir e compreender os oráculos mais profundos.
    Os antigos acreditavam que a safira possuía o poder de influenciar os espíritos e ser uma excelente aliada para criar paz entre inimigos. Os cingaleses de hoje consideram-na como protectora contra os males e doenças da Alma.
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    A tradição ainda sustenta que as leis dadas a Moisés estavam gravadas em tábuas de safiras. O significado religioso desta gema também aumentou durante o século XII, depois do Bispo de Rennes a usar nos seus anéis eclesiásticos.
Com um índice de refracção bastante elevado (1.762 – 1.770), uma dureza de 9 na escala de Mohs e um peso específico médio que ronda o 4, é figura brilhante na elite do comércio mundial.
    É na Birmânia, num lugar situado a 12 Km de um povoado chamado Kathe e a 30 m acima do vale de Mogok, que encontramos as safiras de muita qualidade e beleza. A descoberta destas importantes minas perde-se no tempo, pela Idade da Pedra e do Bronze.
    O próprio Marco Polo (1245-1323) escreveu histórias fabulosas acerca deste local de selvas insalubres e inacessíveis ao homem, cujos habitantes naturais eram os animais selvagens.
    Em 1886 a parte superior da Birmânia é anexada pelos Ingleses que após tomarem conta das minas se defrontam com uma tarefa gigantesca: as terras aluviais encontravam-se a grandes profundidades no vale e uma boa parte delas ficava exactamente debaixo da povoação de Magok (a safira apresenta-se em rochas metamórficas, algumas vezes junto a rochas ígneas, e as de melhor qualidade junto a jazidas secundárias em placeres sedimentares). A decisão de comprarem todas as casas e transportarem os habitantes para outro lugar foi decisiva para o sucesso e prosperidade deste local.
    Em Caxemira, no distrito de Zanskar e a 4500 m de altura, encontram-se as safiras mais bonitas do mundo, estando cobertas de neve durante quase todo o ano. Este mineral apresenta as suas nebulosidades características que se devem a pequeníssimas inclusões esbranquiçadas de composição desconhecida, as quais produzem o chamado efeito Thyndall. Estas jazidas foram descobertas em 1881 após aluimento de terras. 
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    Para além da severidade do clima, o sistema de extracção é muito rudimentar; as pedras ainda se “apanham” à mão empregando unicamente um método muito primitivo de lavagem.
    É no Sudoeste do Sri Lanka que existem safiras de todas as cores: incolores ou leucosafiras, azuis claros, verdes, violetas, amarelas, alaranjadas e até um rosa que chega a ter a tonalidade do rubi, a que erroneamente chamam de “Rubi do Sri Lanka”.
    É nestas safiras que observamos o Asterismo ou efeito estrela geralmente de 6 pontas, devido às compridas e finíssimas agulhas de rutilo.
    De referir também que algumas safiras azuis são parcialmente coloreadas, mas o lapidadores nativos, muito astutos, talham-nas de forma a que a parte com cor, corresponda à base da culatra, e assim, o mineral parece-nos totalmente azul, quando se observa da parte superior.
    Na Austrália, nomeadamente nas zonas de Queensland e New South Wales, extraem-se safiras amarelas com uma tonalidade bastante atraente: as safiras de cor azul escuro, tipo tinta, são de muita má qualidade: porém as verdes possuem uma cor excelente cujo espectro na zona complexa de 4500 A-Angstroms (unidade de longitude de onda) e a falta de luminosidade quando a observamos à luz ultra-violeta, define justamente a presença de ferro férrico (Fe3+).
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    Foi em Willows, a cerca de 340 Km a oeste de Rockhampton, que em 1946 se descobriu um cristal de safira amarela que pesava 217,5 quilates. Ao invés, nos E.U.A., os cristais são muito pequenos; nas jazidas de Montana, junto do rio Missouri, podem-se observar safiras de um azul verdoso ou azul claro que emitem um lustre metálico muito brilhante e que resulta muito bem quando usadas à noite.
    A Tailândia é o segundo país mais importante no comércio de safiras. As suas gemas são de excelente qualidade e os depósitos principais encontram-se em Chantabury e Battambang, estendendo-se até ao Camboja pela zona fronteiriça de Phailin. As pedras aparecem numa areia grossa de cor amarela ou castanha, cobrindo um leito de argila ou rocha basáltica.
A safira, como a maioria das pedras preciosas, está sujeita a tratamentos com o fim de melhorar o seu aspecto ou modificar-lhe a cor.
    Os principais, e por ordem de importância, são: tratamentos térmicos, as impregnações incolores ou coloreadas, a vitrificação de fissuras ou ocos, sobre-crescimento sintético, criação de pedras estrelas e fundos coloreados. Quanto a tratamentos térmicos daremos um bom exemplo: uma safira de cor pálida submetida a um aquecimento de 1600º em atmosfera redutora (+H2) modifica a sua cor para azul escuro.
    Por último, podemos apreciar algumas safiras famosas no Tesouro da Coroa Imperial Inglesa, como a safira de S. Edward e a safira de Carlos II, ambas companheiras do Black Prince; no American Museum of Natural History, existe uma safira estrela de 536 quilates conhecida como “Star of India”, e também lá se encontra a famosa “Midnight Star” – em forma de estrela - com peso de 116 quilates.
    Existem espécies minerais de safira com tamanhos consideráveis: Norman Maness demorou 1800 horas “esculpindo” uma safira de 2302 quilates, dando-lhe a forma de busto de Abraham Lincoln.

 

JOSÉ BAPTISTA

 

 

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