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O Diamante Print E-mail
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O Diamante, a mais preciosa das Pedras



O diamante é, sem dúvida, a mais notável das pedras preciosas. Usado na antiguidade como amuleto, remédio curativo ou ainda como veneno, serviu mais tarde (séc. XI - XIV) como adorno pessoal, exclusivo dos homens importantes da época.
Porém, no séc. XV, como está devidamente documentado, "Maximiliano da Ãustria ofereceu a Maria, filha do Duque de Borgonha, um esplendoroso anel de noivado com diamantes de considerável tamanho".
Os gregos e os romanos chamavam-lhe "Adamas" (Indomável, Invencível), devido à sua extraordinária dureza, 10º na escala de Mohs. Para além desta característica fundamental, o diamante gema distingue-se por outras incomparáveis propriedades: o seu brilho adamantino que lhe oferece intensa vida, a inconfundível transparência ou ainda o fulgor da sua dispersão ou fogo que é o mais elevado das gemas incolores (0.044).
Também tem aplicações como abrasivo em variadas indústrias e em tecnologia avançada.
O diamante é composto de carbono puro ou nativo de símbolo (C) e cristaliza no sistema cúbico ou regular, geralmente em forma de octaedros com arestas curvadas ou arredondadas e sinais ou figuras de crescimento e corrosão.
É um excelente condutor térmico com enormes afinidades com a gordura mas nunca se molha em contacto com a água.
O diamante forma-se entre os 120 e os 200 Km de profundidade. Sendo de origem magmática (cristaliza na fase ortomagmática a altas pressões e altas temperaturas), encontra-se em jazidas primárias junto a uma rocha muito especial chamada Kimberlita, ou em jazidas secundárias, junto de rios e praias.
Para se extrair 1g de diamantes em bruto, que equivale ao peso de 5 ct (o quilate é a unidade de peso das pedras preciosas), é necessário retirar 20 toneladas de rocha, o que exige um gigantesco esforço humano e de material adequado. Este facto não evita, porém, que actualmente o diamante seja a gema com maior importância económica. As estatísticas de alguns anos demonstram indubitavelmente que 80% do movimento monetário relativamente a pedras preciosas pertence ao diamante.
O estudo das suas inclusões permitiu avaliar a idade desta pedra; calcula-se que tenha entre 1000 a 3300 milhões de anos.
As rochas acompanhantes na sua saída da crosta terrestre (a Kimberlita e a Lamproita) são bastante mais jovens e só servem como meio de transporte.
Sabe-se que a Ãndia foi o único produtor até ao séc. XVIII (as suas jazidas estão esgotadas na actualidade) e que a partir da 1ª metade do mesmo século, coube ao Brasil, principalmente ao Estado de Minas Gerais, a sua produção, embora, na maior percentagem, de qualidade industrial.
Foi a partir da 2ª metade do séc. XIX - cerca de 1870 - com as descobertas na Ãfrica do Sul de várias e importantes minas, que se pensou no diamante como investimento.
Jazidas históricas como Bultfontein, Kimberley, Dutoitspan, De Beers e Wesselton deram origem à grande casa que é a De Beers e que transformou radicalmente a história do diamante.
Botswana, 1971/82, é o maior produtor do grupo De Beers e o maior produtor mundial de diamantes gema.
A Namíbia, com grandes extensões aluviais junto do mar, também explora os fundos marinhos relativamente perto da costa, com enorme percentagem de diamantes de qualidade de gema.
A Austrália, com 30% da produção mundial, mas somente com 5% de qualidade para a execução de jóias, retira das suas jazidas os diamantes rosa mais fabulosos do mundo.
Por último, a Rússia, onde em 1954 se descobriram na zona siberiana de Yakutia centros primários de grande importância, representa hoje 20% do total mundial.
Como todas as pedras preciosas importantes, o diamante está sujeito a muitas imitações, sendo as mais comuns, e por vezes perigosas, o rutilho sintético, o titanato de estrôncio e a zirconita ou óxido de zircónio cúbico, pedra artificial considerada a melhor imitação do diamante.
O Boart e o Carbonado constituem outras variedades do diamante. O Boart é composto de massas densas redondeadas ou irregulares, geralmente de cor negra e brilho gorduroso; também se lapida com o nome de diamante negro. O Carbonado é microcristalino, poroso e também de cor escura; possui má exfoliação e contém 2 a 4% de grafite amorfa e impurezas, o que lhe dá uma aparência de escória carbonosa. Para além da sua incoloridade e transparência esta gema pode surgir com diversas cores, muitas vezes devido a elementos que existem no diamante como impurezas, ou noutros casos, devido a defeitos reticulares ou à exposição de radiações naturais. Os tons amarelados devem-se ao elemento nitrogénio (N) e os tons azuis, alguns lindíssimos, são causados pelo elemento Boro (B) que também existe como impureza.
Numa explosão de cores e fantasia surgem-nos os amarelos intensos de canário, os vermelhos e violetas, sem faltarem as cores verdes, rosa, castanho mel, etc., etc.
Estas gemas têm valores incalculáveis, dependendo da subjectividade de cada gosto; porém o valor de um diamante incolor depende essencialmente do seu peso, cor, pureza e talhe, embora o acabamento final e a beleza da pedra influenciem bastante na mais valia do seu preço final - neste capítulo há uma regra a não esquecer: os diamantes que não têm espectro nem fluorescência são os mais puros e, inevitavelmente os melhores.
Nos diamantes talhe antigo de brilhante, há a considerar alguns erros que pela sua importância não podemos deixar de citar: a redondeza é quase sempre defeituosa, a mesa exageradamente pequena, a coroa muito alta e a cintura (zona de divisão entre a coroa e a culatra) excessivamente grossa; na parte inferior do diamante temos a culatra muito aberta e profunda e ordinariamente cortada na ponta, isto para aproveitar ao máximo o peso da preciosa gema, perdendo-se no entanto muito da sua enorme beleza. Não é necessário adquirir um diamante muito grande para fazer um bom investimento, contudo, os mais conhecidos e famosos são gemas de grandes dimensões e, claro está, com características especiais.
O Cullinan I (530.20 ct), retirado da mina Premier na Ãfrica do Sul e extraído do maior diamante em bruto encontrado pelo homem - 3.106.00 ct - tem a forma de pêra e adorna o ceptro real das jóias da Coroa Britânica.
O Dresden, de cor verde esmeralda e de talhe brilhante com contornos em forma de pêra, pesa 41 ct.
O Hope de azul profundo, com 44 ct, adquirido pelo banqueiro de Londres H.T. Hope, pode ser visitado na Smithsonian Institution em Washington.
E, finalmente, o famoso Tiffany, de 128.51 ct, encontrado em Kimberley, Ãfrica do Sul, no ano de 1878; talhado com 90 facetas de forma quadrangular redondeada - talhe Cojin - anuncia-se com uma cor âmbar de mel, milagre único da Natureza.


JOSÉ BAPTISTA



 
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